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26/12/2016

Retrospectiva Fintech 2016

Fintechs

 Por Guilherme Horn, Link Estadão, 27/12/2016

O último post do ano não poderia deixar de fazer uma retrospectiva dos acontecimentos que marcaram o ano de 2016 para o segmento Fintech, globalmente. Seguem então os fatos que marcaram o ano:

A China despontou como uma das grandes forças do mundo fintech, seja por suas startups gigantescas, como a ANT Financial, do grupo Alibaba, que captou investimentos da ordem de U$4,5 bilhões, seja pela intensa atividade dos fundos de Venture Capital, que passaram a acreditar mais no país no ano de 2016. Startups de empréstimos P2P, como Lufax e Frenqile, são dois exemplos de sucesso na captação de recursos.

Insurtech demonstrou ser uma das áreas que oferece as maiores oportunidades em Fintech. O setor de seguros está muito aquém de outros no que se refere à experiência do usuário; e novas tecnologias, como Blockchain, poderão trazer novos modelos de negócios ao segmento. Oscar, Lemonade e CloverHealth são exemplos de startups que estão inovando e chamando a atenção dos especialistas.

Na Europa, a Alemanha tem ganhado cada vez mais relevância e já ameaça disputar a liderança da inovação em Fintech com o Reino Unido. Exemplos desta nova geração de startups são: Fidor e N26, dois dos mais modernos bancos digitais.

A admissão de práticas de má gestão na Lending Club acendeu uma luz amarela sobre a vulnerabilidade dos controles nas startups, mostrando que elas também podem repetir os erros de grandes empresas. O caso tem sido conduzido de forma a evitar maiores danos aos investidores e retomar a credibilidade da empresa.

O Blockchain ganhou força como tecnologia disruptiva, com diversas provas de conceito em andamento. O consórcio R3 começou o ano ganhando adesões de grandes bancos e terminou 2016 com a saída de quatro grandes: Santander, Goldman Sachs, Morgan Stanley e National Bank Australia.

Os governos passaram a ver as Fintechs como uma alternativa relevante para reparar danos deixados pela crise de 2008. Pelo lado do consumidor, a crise reduziu o acesso ao sistema financeiro e diminuiu a confiança nas tradicionais instituições financeiras. Pelo lado dos bancos, houve redução nas margens e mais volatilidade nas operações. Assim, reguladores começaram a incentivar as fintechs. Quem saiu na frente foi o Reino Unido, com a criação do Innovation Hub. Meses depois, veio o sandbox das fintechs, um ambiente livre de regulamentação onde as startups podem captar clientes e prover seus serviços enquanto os reguladores acompanham de perto, avaliando os riscos e benefícios. Outra iniciativa foi o Innovation Financial Savings Account (IFISA), uma conta para investimentos em plataformas P2P, com incentivos fiscais. E, por último, a publicação de um documento, em que os bancos têm até 18 meses para publicarem cerca de 15 APIs, entre elas a que fornece os dados cadastrais de seus clientes a qualquer fintech que tenha obtido esta autorização pelo usuário. Na prática, o regulador britânico determinou que a propriedade dos dados é do cliente e não mais dos bancos. Os reguladores da Australia e Singapura foram os primeiros a seguir o caminho trilhado pelo Reino Unido e outros estão avaliando atentamente os resultados.

No Brasil, vimos algumas aquisições, a consolidação do crescimento das duas maiores fintechs do país, Nubank e Guia Bolso, o surgimento de muitas outras (que somam atualmente 219 em atividade), o início da regulamentação do equity crowdfunding e a criação da Associação Brasileira de Fintechs, além de de outras associações específicas de alguns nichos (Crédito, por exemplo). Se no ambiente macro o ano de 2017 não é dos mais animadores, para as Fintechs promete muita agitação!
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Matéria publicada no blog Seu bolso na era digital. Guilherme Horn é PhD em negócios e um dos maiores especialistas do Brasil em serviços financeiros que usam tecnologia, segmento conhecido como Fintech. Com experiência de mais de 20 anos no segmento, ele foi um dos fundadores da corretora de valores digital Ágora, vendida em 2008 para o Bradesco, e CEO e fundador da Órama, plataforma digital de distribuição de investimentos. Atualmente, é conselheiro, mentor e investidor-anjo em mais de dez startups e aceleradoras, editor do blog Finnovation e diretor executivo da consultoria Accenture. Neste blog, Guilherme vai contar os bastidores das inovações das fintechs no Brasil e no mundo.
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