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Nabuco Fin Empreender em rede
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Qual é a proposta de Nabucodonosor Finanças?

Nabuco Fin proposta

Como muitos já sabem, alguns pesquisadores da Escola-de-Redes estamos desenvolvendo Nabucodonosor: sistemas alternativos ao controle hierárquico. E estamos começando por Nabuco Fin: um sistema financeiro alternativo ao tradicional, baseado em instrumentos, operações e tecnologias sociais (ou de netweaving) que pode funcionar praticamente sem os bancos.

Alguém pode perguntar para quem serve um sistema financeiro alternativo desse tipo. Na verdade, os arranjos que estamos desenvolvendo servem para redes de pessoas que não estão dispostas a se submeter ao controle hierárquico do sistema financeiro tradicional, inclusive para as pessoas que foram punidas por esse sistema porque não tiveram condições de honrar seus compromissos e estão, por exemplo, com restrições no seu CPF ou CNPJ.

Mas Nabuco Fin aconselha que você pague todas as suas contas no prazo e não faça dívidas que não possa saldar. Nabuco Fin é um programa de livre-aprendizagem financeira, que desestimula o calote e tenta evitar a inadimplência. No entanto, caso você esteja endividado, ele oferece vários arranjos de instrumentos e procedimentos alternativos para que você possa operar financeiramente conseguindo assim sobreviver e cumprir as suas obrigações. E não ser excluído do mundo!

Não é um sistema para alguém ficar rico. É possível, entretanto, movimentar quantias compatíveis a rendimentos suficientes para uma vida digna. Ou até muito mais do que isso.

Mas algumas pessoas ainda podem ficar em dúvida sobre se não é ilegal montar ou participar de um sistema financeiro alternativo como o de Nabucodonosor. A resposta é inequívoca: é absolutamente legal, desde que não se queira recolher dinheiro alheio ou administrá-lo de modo centralizado ou descentralizado. Para tanto seria necessário obter autorização do Banco Central ou do Ministério da Fazenda, o que não faz – no caso – o menor sentido.

Num sistema financeiro em rede como Nabuco Fin você nunca recebe depósitos dos participantes, não aplica dinheiro alheio, nem mesmo aconselha o que cada um vai fazer com o seu próprio dinheiro.

O segredo é bem simples. Cada pessoa (que quiser) deposita seus recursos em suas próprias contas digitais (e elas poderão ter várias, se quiserem). Cada pessoa empresta (ou não) os seus recursos a quem quiser (como se fosse uma ação entre amigos). Não há taxas de nenhum tipo e ninguém – a não ser todos, quer dizer, cada um – fica com juros, spread ou lucro (se quiser). Os empréstimos são apenas uma das 11 operações básicas possíveis (ver a nota ao final deste artigo). Não há porcentagem cobrada por operação, seja ela qual for.

Alguns podem também perguntar: e quem são os donos do negócio e como eles vão ganhar?

Nabucodonosor é uma iniciativa em rede, não uma instituição centralizada. E, na verdade, é uma iniciativa sem fins lucrativos, ainda que as pessoas que nela trabalham possam (e devam) ser pagas por seu trabalho.

Qual é o trabalho dessas pessoas? Esse trabalho é, unicamente, o de conceber o sistema, montá-lo e mantê-lo atualizado (está surgindo uma – ou mais de uma – nova fintech no mundo por semana: já vamos começar usando quase trinta) e construir um ambiente virtual onde outras pessoas possam aprender como usar o sistema. As pessoas contribuem com um valor para ter acesso a esse ambiente (como se estivessem, por exemplo, pagando para fazer um curso).

Explicando melhor. Nabuco Fin não está convidando ninguém para entrar em uma rede. São as pessoas que quiserem usar o sistema que vão articular e animar suas próprias redes, não os iniciadores do sistema. Os iniciadores do sistema, por sua vez, também são uma rede como qualquer outra, que podem – se quiserem: os que quiserem – usar o sistema (como quaisquer outras pessoas).

Mas para quem vai o pagamento do “curso”? Vai sempre para uma pessoa (nem sempre a mesma obrigatoriamente) das que iniciaram o processo, posto que não há uma entidade coletiva formal para recebê-lo. E essa pessoa da vez combina com as outras pessoas da rede de iniciadores como vai remunerá-las (ou não, a decisão é delas), usando, inclusive, o próprio sistema financeiro alternativo, sobretudo a décima-segunda operação: como organizar um empreendimento em rede usando os instrumentos, as operações e a tecnologia de Nabuco Fin (sobre isso veja a nota abaixo).

O pagamento para aprender a usar o sistema (semelhante à “anuidade de um curso”) não é o negócio: é apenas uma forma de remunerar o trabalho de quem bolou, mantém o sistema atualizado e o ambiente de aprendizagem disponível. Esse valor nem será usado para pagar despesas de infraestrutura, que serão sempre uma doação dos iniciadores.

Porque Nabuco Fin não é, a rigor, um negócio. É uma tecnologia social que permite fazer vários negócios, que não se pode saber quais são de antemão pois dependem do que os que aprenderam a usar o sistema queiram fazer. E os iniciadores não têm qualquer responsabilidade ou controle sobre isso. Os iniciadores são assim como cartógrafos que vendem seus mapas com instruções de viagem. As viagens serão feitas (ou não) pelos que resolverem usar os mapas e seguir (se quiserem) as instruções.

Mas vocês vão usar bitcoin (ou outra criptomoeda) e o blockchain? – poderiam, por último, perguntar os interessados. Sim, vamos usá-las e vamos usar também as moedas tradicionais (como o Real, o Dólar e o Euro) pois o sistema não depende delas. Na verdade, nosso desafio foi desenvolver uma espécie de blockchain social e torná-lo disponível, sem qualquer reserva de direitos, entregando-o ao domínio público. Quem quiser clonar ou forkear, fique à vontade, se puder.

 

NOTA

Este artigo dá continuidade a uma série sobre o tema (sistema financeiro em rede), que será publicada até o lançamento de Nabucodonosor. O primeiro artigo está aqui. O segundo está aqui. E o terceiro está aqui.

No momento estamos desenvolvendo Nabuco Fin: o sistema financeiro de Nabucodonosor – Sistemas Alternativos ao Controle Hierárquico. Nabuco Fin é um sistema financeiro baseado em confiança (e não em desconfiança) alternativo aos grandes bancos.

Nabuco Fin articula três elementos: a) Instrumentos, b) Operações e c) Rede (de pessoas). Nós não desenvolvemos a tecnologia física ou digital para criar novos instrumentos: aproveitamos todos (ou quase todos) instrumentos que já estão disponíveis. Mas desenvolvemos a tecnologia social (de rede) que permite que você possa usar os instrumentos financeiros alternativos para realizar as operações financeiras básicas apoiado em novos arranjos de pessoas que você conhece e nas quais confia.

AS 11 OPERAÇÕES BÁSICAS

01) Comprar fisicamente
02) Comprar online
03) Pagar contas
04) Realizar pagamentos e recebimentos entre pessoas (físicos ou online)
05) Fazer pagamentos para empresas
06) Receber de empresas
07) Emitir cobranças
08) Realizar saques
09) Fazer câmbio de moedas
10) Investir dinheiro
11) Tomar e pagar empréstimos

Uma décima-segunda “operação”, por assim dizer (por que não é uma operação estritamente financeira e nem é básica), foi acrescentada:

12) Como organizar um empreendimento em rede (usando os instrumentos e as operações de Nabuco Fin)

E tudo isso sem usar para quase nada os bancos tradicionais.

Nabuco Fin é apenas uma parte do Nabucodonosor que, além de finanças, pode desenvolver no futuro outros subsistemas dedicados à alimentação; saúde; educação; moradia; vestuário; transporte; viagens e hospedagens; comunidade e vizinhança; relacionamentos; entretenimento; comunicação; empreendimentos; política; filosofia, ciência e tecnologia; arte; e espiritualidade. Tudo em rede.

O lançamento de Nabuco Fin está previsto para algum dia de outubro de 2016. Oremos!

Para saber mais: http://nabucodonosor.com.br/

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