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Como organizar um empreendimento em rede

06 dias
Um empreendimento em rede é, por definição, um empreendimento não hierárquico (ou não centralizado). Convencionalmente, podemos dizer que é um empreendimento que se estrutura de forma mais distribuída do que centralizada. Para entender a diferença entre um padrão de organização centralizado e um padrão de organização distribuído, basta dar uma espiada no velho diagrama elaborado por Paul Baran (1964) no artigo On Distributed Communications.
Baran Nabuco
 
Para organizar um empreendimento em rede, não basta, portanto, organizar um empreendimento que usa as redes sociais existentes, como o AirBnb e o Uber. É necessário que ele se estruture em rede, sem chefes (diretores, gerentes etc.) e subordinados, sem comandantes e comandados, sem modelos de gestão baseados em comando-e-controle.
 
Se você quiser organizar um empreendimento em rede é necessário, antes de qualquer coisa, articular uma rede com amigos que estejam dispostos a empreender juntos alguma coisa – em termos empresariais, sociais, culturais, não importa – porém sem se organizar de forma mais centralizada do que distribuída. É necessário que as pessoas que vão empreender desejem fazer isso.
 
Sim, o desejo é o fundamental. E o desafio principal é configurar um ambiente favorável à iniciativa. O ambiente é a rede, ou seja, o sistema composto pelas pessoas em interação, não as tecnologias físicas ou digitais das quais podemos lançar mão. Redes sociais são pessoas interagindo, não mídias, tecnologias, ferramentas, instrumentos. Existem, porém, tecnologias sociais – ou seja, tecnologias de articulação e animação de redes (netweaving) – que são mais importantes – para o propósito de organizar um empreendimento em rede – do que as tecnologias físicas ou digitais, embora alguns instrumentos financeiros (fintechs) possam facilitar a tarefa de configurar o ambiente social favorável ao desenvolvimento de uma iniciativa em rede.
 
Dificilmente conseguiremos organizar um empreendimento em rede estruturando uma empresa capaz de tocar vários projetos. A experiência mostra que cada projeto tem que ser um empreendimento, tocado por uma comunidade de projeto autônoma. É até possível criar uma empresa com vários projetos, abrigando sob um mesmo branding várias comunidades de projeto, se houver sinergias entre esses projetos. Mas o que não se pode fazer é criar um empreendimento apenas para administrar os demais empreendimentos, pois isso introduzirá centralização.
 
Para organizar um empreendimento em rede nuclear, que depois pode se juntar a outros empreendimentos sinérgicos, não existe uma fórmula geral, a não ser aquela que já foi mencionada acima: é necessário haver um conjunto de pessoas dispostas a empreender (ou tocar um projeto) juntas, sem que haja hierarquia entre elas. Esse conjunto é chamado de comunidade de projeto.
 
Como a estrutura das empresas formais exige hierarquia, tendo-se que declarar, no chamado contrato social, quem são os responsáveis pelo empreendimento e quais são suas posições ou funções na estrutura da empresa, pode-se contornar esse problema – sem violar as leis – facilmente. Basta que algumas das pessoas envolvidas tenham empresas individuais (ME, MEI etc). Quando for o caso de emitir uma Nota Fiscal, uma dessas empresas pode fazê-lo. Ou pode-se fazer um rodízio entre quem emite tais notas, dependendo do produto que for vendido ou do serviço que for prestado. O nome de “fantasia” pode ser a base do branding, ainda que, em termos legais (inclusive fiscais), existam vários nomes formais associados (em geral o nome das pessoas físicas-jurídicas que estão empreendendo; ou de algumas delas, pois não é necessário que todas as pessoas associadas em rede para empreender sejam pessoas jurídicas).
 
Contornado esse problema, podemos lançar mão de alguns instrumentos financeiros alternativos para facilitar a operação de organizar um empreendimento em rede.
 
Organizar um empreendimento em rede é uma das operações de NabucoFin, o sistema financeiro alternativo que está sendo lançado agora no início de dezembro de 2016.
 
Uma boa solução é usar um sistema de afiliados, colocando os empreendedores associados como afiliados. Assim todos podem receber por seu trabalho utilizando mecanismos simples de recompensa financeira. Todos são sócios, mas cada um ganhará por seu trabalho, segundo regras que podem ser estabelecidas coletivamente.
 
Como não há donos, patrões e empregados em um empreendimento em rede, o melhor é jamais ter uma conta bancária única. Cada qual tem sua conta pessoa jurídica ou pessoa física. Inclusive é possível que alguns não tenham – por qualquer razão – conta bancária. Neste caso, resolve-se o problema compartilhando alguns instrumentos. Todos poderiam ter um mesmo tipo de conta virtual e de cartão pré-pago associado. E as transferências de recursos seriam então feitas tranquilamente entre todos.
 
Pode-se, inclusive, compartilhar as senhas do ambiente virtual dessas contas (sem que seja necessário a cada um revelar a senha de quatro dígitos do seu cartão), construindo um funding comum do empreendimento que todos podem acompanhar (trata-se de um funding em rede, ou seja, distribuído). Mas cada pessoa deposita a sua parte do funding em sua própria conta, visível para todos, não podendo, porém, as demais, movimentar tais recursos (apenas conferi-los para comprovar sua existência). Essa simples providência elimina a necessidade de uma conta centralizada. Como, em geral, há limites de saldo nessas contas, pode-se usar simultaneamente várias delas que tenham as mesmas funcionalidades (dependendo da expectativa de faturamento do empreendimento). Podem ser usados para tanto vários instrumentos financeiros que fazem parte do sistema NabucoFin.
 
Todas as funções comerciais da empresa, como vender produtos e serviços, podem ser feitas utilizando-se, para vendas físicas ou online, outro conjunto de instrumentos que serão apresentados e explicados para os que embarcarem em NabucoFin.
 
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