Nabuco Série
Série NabucoFin – Primeira Temporada
31/10/2016
FAQ 2
As FAQ sobre NabucoFin
19/11/2016

As fintechs são contra os bancos?

Ludismo

As novas tecnologias financeiras (fintechs) que estão surgindo não fazem parte de qualquer tipo de movimento ludista contra os bancos. Não vão destruir, nem substituir, os bancos. Vão apenas diminuir seu poder de controlar a vida das pessoas.

Mariana Desidério, em artigo na Exame (12/08/2016), intitulado Conheça as fintechs, as startups que desafiam os bancos, escreveu o seguinte:

“Do lado dos bancos, apesar da segurança de sua posição hoje no mercado, há um forte movimento de aproximação com essas startups – afinal, ninguém quer ser pego de surpresa.

É como se a fintech fosse uma lancha e o banco fosse um Titanic: grande, leva muita gente, só que é difícil de manobrar. A lancha é mais rápida. Renan Rego, gerente de Aceleração da Artemisia.

“A gente vê um movimento dos bancos de aproximação. O Itaú tem o Cubo, para fomentar o ecossistema, o Bradesco tem a InovaBRA, como aceleradora, e o Santander também está com um laboratório de inovação. Todas as grandes instituições estão vendo alguma forma de ficar perto desse mercado para não serem atropeladas pela onda”, afirma Marcelo Bradaschia, do FintechLab.

“Eles não têm saída, ninguém vai escapar desse movimento. A tecnologia está vindo como uma bola de neve. À medida que vai ganhando escala, vai ficando mais importante, e você precisa correr atrás”, completa a vice-presidente do Nubank”.

É claro que os bancos estão correndo atrás do prejuízo. Antes sozinhos no negócio do crédito, da intermediação e dos serviços financeiros, agora eles se veem às voltas com o surgimento de milhares de startups dedicadas a encontrar maneiras melhores, mais ágeis e mais baratas, de fazer a mesma coisa. Mas apenas aparentemente.

Pois não se trata de fazer a mesma coisa. As fintechs não vão substituir os bancos, nem vão liderar um movimento contra os bancos para destruí-los ou para virarem novos tipos de bancos (como aconteceu com as cooperativas de crédito em alguns países, como a Alemanha). Elas, simplesmente, vão explorar novas oportunidades abertas com a introdução de novas tecnologias. Embora a maioria delas não tenha tal intenção, o sentido do seu movimento, objetivamente, tende a acabar com o oligopólio e com a centralização dos bancos que permitem um controle absurdo sobre a vida dos clientes e, inclusive, dos que não são seus clientes (de vez que pessoas desbancarizadas ficam fora do mundo).

Ao contrário do que muitos pensam, não são as novas tecnologias físicas ou digitais que estão surgindo que representam a principal inovação e sim os novos arranjos sociais que podemos configurar para usar essas novas tecnologias. Os bancos podem investir em novas tecnologias que simplifiquem suas operações (no limite, dispensando as agências e, até mesmo, seus sofisticados e pesados sistemas de internet banking, transferindo tudo para o celular). Mas o que eles não podem fazer é mudar o seu padrão de organização e sua dinâmica de funcionamento baseada em desconfiança, segurança e… controle, controle, controle! Assim, quando os bancos resolvem correr atrás do prejuízo, investindo nas fintechs e tentando capturá-las para sua esfera de influência, eles estão apenas querendo potencializar e otimizar sua capacidade de centralizar, comandar e controlar. Ora, tecnologia por tecnologia, nenhuma pequena startup teria capacidade de apostar mais em pesquisa e desenvolvimento do que um grande banco. Só não conseguem fazer isso sozinhos porque sua estrutura organizacional paquidérmica atua como uma âncora: e é por isso que tentam capturar ou imitar as startups financeiras que estão brotando em profusão.

Os inovadores financeiros, em sua maioria – nem mesmo os que se dedicam a desenvolver programas no blockchain e lidam com bitcoin e outras criptomoedas – ainda não acordaram para essa realidade: as inovações que podem alterar a configuração do ambiente, permitindo menos controle e mais liberdade, são sociais, não tecnológicas stricto sensu (como novos aparatos, artefatos, programas ou sistemas físicos ou virtuais). São, portanto, tecnologias sociais (não no sentido, corrente e cretino, de tecnologias para os pobres e sim no de tecnologias de netweaving).

Já ficou cansativo repetir a famosa frase de Marshall McLuhan, proferida em uma palestra pública – intitulada Viver à velocidade da luz – em 25 de fevereiro de 1974, na Universidade do Sul da Flórida, em Tampa, explicando o que entendia por seu famoso aforismo “o meio é a mensagem”:

“Significa um ambiente de serviços criado por uma inovação, e o ambiente de serviços é o que muda as pessoas. É o ambiente que muda as pessoas, e não a tecnologia”.

Este é o desafio que estamos enfrentando com a proposta de Nabucodosor – Sistemas Alternativos ao Controle Hierárquico, que começa pelo sistema financeiro alternativo, em rede, chamado NabucoFin.

O QUE É UM SISTEMA FINANCEIRO EM REDE

Explicando em 1 minuto

Estão surgindo vários instrumentos alternativos aos bancos, baseados em novas tecnologias financeiras (fintechs). Só no Brasil já são mais de 200 empresas fazendo isso. No mundo são milhares e surge praticamente uma por semana. Então, nós, pesquisadores da Escola-de-Redes, resolvemos fazer o seguinte: em vez de tentar criar mais uma tecnologia física ou digital, desenvolvemos uma tecnologia social para usar cerca de 25 desses novos instrumentos, potencializando-os de tal sorte a permitir que uma rede de pessoas possa fazer todas as operações básicas sem depender de bancos. Operações como comprar fisicamente, comprar online, pagar contas, realizar pagamentos e recebimentos, emitir cobranças, realizar saques em caixa eletrônico, fazer câmbio de moedas, investir dinheiro, conceder, tomar e pagar empréstimos e organizar um empreendimento em rede (não hierárquico). Ou seja, montamos uma espécie de sistema que pode ser usado pelas pessoas e estamos transferindo essa tecnologia social por meio de um programa de livre-aprendizagem financeira chamado NabucoFin. Em suma, é isso. Para saber mais clique http://nabucodonosor.com.br

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